Quem sou eu

Minha foto
Biomédica e Estudante de Medicina (Contatos --> Tel: 67-9976-5669; e-mail: thayara.paolla@yahoo.com.br)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Diabetes: você já fez seus exames?


A maioria das pessoas pensa que diabetes é uma doença branda ou um simples “probleminha” que apenas aumenta a glicose no sangue. Quando, na verdade, é uma deficiência na produção ou ação da insulina que, se não tratada e bem controlada, leva a sintomas agudos e complicações graves.
            O diabetes é uma disfunção metabólica crônica decorrente da carência do hormônio produzido pelo fígado – a insulina – que é responsável por controlar as taxas de glicose do sangue. Essa falha pode ser decorrente de fatores genéticos, de hábitos de vida não saudáveis, de gestação e também outras formas, como: infecções, doenças pancreáticas, uso de certos medicamentos, drogas e outras doenças endócrinas.
            O diabetes mellitus tipo I (DM-I) acontece em geral por decorrência de doença auto-imune em que o organismo destrói lenta e irreversivelmente as células beta do pâncreas. Estas vão deixando de atender à demanda de insulina que o corpo necessita e atingem um desgaste total, chegando à deficiência absoluta de insulina; motivo pela qual é chamado de diabetes insulino-dependente.
            O diabetes mellitus tipo II (DM-II) é provocado predominantemente por uma resistência à ação da insulina associada a uma relativa deficiência de sua secreção. Este é o tipo mais comum, sendo encontrado em 90% dos diabéticos. Acontece geralmente em pacientes com histórico familiar de diabetes, obesidade e demais fatores de risco.
            Os sintomas são decorrentes do aumento da glicemia e das complicações que se desenvolvem. Entre eles estão: sede excessiva, aumento do volume urinário, aumento do número de micções, surgimento do hábito de urinar a noite, fadiga, fraquezas, tonturas e visão borrada. Estes sintomas tendem a agravar-se e podem levar às complicações, em que o paciente apresenta queixas visuais (ex: cegueira), cardíacas (ex: infarto), circulatórias (ex:arteriosclerose) , renais (ex: perda da função renal), urinárias, imunológicas, dermatológicas, digestivas (ex:distensão abdominal) e ortopédicas (ex: degeneração de articulações).
            Apesar de perigosa e possivelmente fatal, a doença é controlável e o diabético pode ter boa qualidade de vida. Para isso o paciente deve estar atento aos fatores de risco, entre eles pode-se citar o avanço da idade, sedentarismo, histórico familiar de DM, HDL baixo, triglicerídeos alto, hipertensão arterial, doenças coronarianas, diabetes gestacional prévia, uso de medicamentos que aumentam as taxas de glicose e tabagismo.
            Estudos confirmam que mais de 60% dos diabéticos não sabem que tem a doença. Portanto, é muito importante realizar exames de sangue periodicamente, entre eles: glicemia de jejum, curva glicêmica, glicose pós-prandial, hemoglobina glicada e outros. O tratamento é feito com plano alimentar controlado, atividades físicas, medicamentos hipoglicemiantes e baseado no rastreamento das complicações. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

VOCÊ SABE O QUE É SÍFILIS?


A sífilis é uma doença infecciosa crônica causada por uma bactéria espiroqueta chamada Treponema pallidum e é caracterizada por lesões na pele e mucosas. Na maioria dos casos, é adquirida por contato sexual desprotegido, podendo também ser transmitida via placentária (mãe para o feto), beijo ou qualquer outro contato íntimo com uma lesão ativa (contendo a bactéria) e, mais raramente, por inoculação acidental em profissionais da saúde.
Se não tratada, evolui lentamente passando por três estágios, entre os quais o paciente pode não apresentar sintoma algum. Na fase primária, normalmente, o paciente apresenta lesões indolores e com borda dura nas genitais – o chamado cancro – que desaparece espontaneamente entre 3 a 6 semanas mesmo sem tratamento, o que faz o paciente pensar que está curado. Como essas lesões são bastante variáveis, é muito importante que qualquer ferida presente na genitália passe por avaliação médica, pois após essa fase, a bactéria se dissemina pelo sangue, podendo comprometer diversos órgãos.
A fase secundária é o estágio com maior quantidade de Treponema e acontece após 4 a 8 semanas depois do aparecimento do cancro. Nessa etapa os sintomas são: mal-estar, febre, perda de apetite e de peso, dor-de-cabeça, dor-de-garganta e, em alguns pacientes, ínguas e lesões no corpo.
Passada esta fase inicial, o risco de transmissão diminui. Porém, alguns anos depois, podem surgir manifestações cardíacas, cerebrais, comprometimento do sistema nervoso central e qualquer outro órgão. Esta é a fase terciária e os sintomas estão relacionados aos órgãos afetados. Portanto, sem tratamento, a sífilis pode ser fatal.
O diagnóstico é feito por avaliação médica analisando o histórico do paciente relacionado às formas de contaminação, lesões genitais, manifestações na pele e exames de sangue, como o VDRL e o FTA-Abs (ou TPHA), que detectam a presença de anticorpos anti-Treponema.
O tratamento é fácil e apresenta um baixo custo. O problema encontrado para o início da terapêutica é a falta de atenção e cuidado das pessoas quanto aos sinais e sintomas, já que a sífilis pode ser confundida com outras doenças. Portanto, previna-se, fique atento, consulte um médico e realize exames caso haja qualquer suspeita.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

HEPATITE, uma inimiga silenciosa.



Hepatite é qualquer inflamação do fígado e pode ser ocasionada por infecções – bactérias ou vírus - álcool, medicamentos, drogas, doenças hereditárias e doenças autoimunes. Com a inflamação são destruídas as células do fígado, causando diversos danos ao organismo. A forma de aquisição difere conforme o tipo de hepatite. São popularmente chamadas de amarelão ou derrame de bile.
            As hepatites virais são: hepatite A, B, C, D e E, sendo que cada uma delas difere tanto na transmissão, quanto nos sinais, sintomas e duração da doença. No geral, a transmissão pode ocorrer por contato sanguíneo – piercings, tatuagens, compartilhamento de agulhas, alicates de unha, aparelhos de barbear e depilar; por via fecal-oral (fezes de pessoas que contaminam a água de consumo e alimentos, normalmente em regiões de condições sanitárias insatisfatórias); relações sexuais; contato desprotegido com sangue ou secreções contaminadas e também da mãe para o filho durante o parto.
Nem todas as hepatites virais se tornam crônicas. Algumas delas – como a hepatite A – apresentam cura dentro de um mês. Porem, outras – como a hepatite B – se cronificam e podem levar à cirrose, ao câncer de fígado e à morte. Para prevenção, existem vacinas para os tipos A e B. Hepatite D só se adquire na presença do tipo B.
A hepatite alcoólica é ocasionada pelo uso abusivo de qualquer bebida alcoólica, algumas pessoas, p. ex. mulheres, adoecem com menor quantidade de álcool. A hepatite medicamentosa acontece normalmente em indivíduos suscetíveis. Na autoimune, anticorpos do próprio organismo causam inflamação e dano ao fígado. Nas hereditárias, ocorre o acúmulo de algumas substâncias no fígado, como o ferro e cobre. Na esteatose, ocorre o acúmulo de gordura no fígado.
Na hepatite aguda – fase inicial, os sintomas podem variar bastante. Dependendo da causa, eles podem não aparecer. Na maioria das vezes, surge com um quadro parecido a de uma gripe, com mal estar, fraqueza, febre, dores e náuseas. Na hepatite crônica, ocorre uma destruição lenta das células do fígado, que aos poucos vão se regenerando ou formando cicatrizes – podendo evoluir para cirrose e o fígado não funcionar normalmente. Nessa fase, praticamente não há sintomas. Por esse motivo, muitas pessoas não descobrem a doença até que seja tarde demais. O paciente em fase avançada apresenta ascite – concentração de líquido no abdômen, icterícia – pele e olhos amarelados e confusão mental – encefalopatia.
Estima-se que 5 milhões de brasileiros sejam portadores das hepatites B ou C, mas mais de 90% desconhece ter a doença. O diagnóstico da hepatite pode ser feito através de exames de sangue – como marcadores de lesão hepática, marcadores de abuso de drogas ou álcool e outros -, sorologias específicas para cada tipo viral, análise do fígado através de exames de imagem ou biópsia de fígado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O exame de urina é importante?

A urina contém informações a respeito de muitas das principais funções metabólicas do organismo. Além de ser um exame de grande utilidade, é barato e não-invasivo.
O volume urinário depende da quantidade de água que os rins excretam e há certos fatores que influenciam, tais como: ingestão hídrica, variações na secreção de hormônio anti-diurético, perda de líquido por suor, vômitos, entre outros.  A cor varia conforme funções metabólicas, substâncias ingeridas e condições patológicas. O aspecto sofre influência por infecção, leucócitos, sangue e demais estruturas encontradas no exame microscópico. Uma urina límpida nem sempre é normal. A densidade depende do grau de hidratação do paciente e ingestão de certas substâncias. O pH auxilia na determinação da existência de doenças sistêmicas de origem metabólica ou respiratória.
A determinação das proteínas é o exame químico mais indicativo de doença renal, sua presença requer testes adicionais, já que nem sempre significa problema renal. Podem estar presentes em infecções, nefropatia diabética, febre alta, exposição ao frio, etc. A determinação da glicose é mais precisa quando o paciente realizou jejum corretamente, já que há pequena quantidade presente em urinas normais. A glicosúria é indicativa de diabetes, pancreatite, câncer pancreático, hipertireoidismo e outros. As cetonas são produtos do metabolismo incompleto dos lipídeos e a sua presença na urina está relacionada com condições metabólicas nas quais a gordura, ao invés dos carboidratos, é usada como fonte de energia. Isso ocorre no diabetes mellitus não controlado, alcoolismo, jejum prolongado e raras doenças metabólicas hereditárias. A presença de sangue resulta de sangramento em qualquer ponto do trato urinário, desde o glomérulo até a uretra, podendo ser devido às doenças renais, infecção, tumor, cálculo, etc. A presença de bilirrubina indica obstrução das vias biliares (cálculos, câncer) ou lesão dos hepatócitos (hepatite, cirrose). Sua detecção, em combinação com o urobiligênio, é importante na suspeita de doenças hepáticas e na investigação das causas da icterícia. O aparecimento do urobiligênio na urina acontece também na insuficiência cardíaca congestiva, estados de desidratação e febril. A presença de nitritos indica infecção do trato urinário (cistite, pielonefrite) e é útil na detecção da bacteriúria assintomática.
No exame microscópico, a presença de leucócitos em número significativo indica infecção urinária ou processos inflamatórios do trato genito-urinário (glomerulonefrite, lúpus eritematoso, tumores) sem a presença de bactérias. É comum a presença de células epiteliais em pequena quantidade, mas podem estar aumentadas em várias infecções do aparelho urogenital, por exemplo: presença de clue-cells na infecção por Gardnella vaginalis. A urina originalmente é um líquido estéril, mas sofre contaminações vaginal, uretral e da genitália externa durante a coleta. Uma infecção verdadeira por bactérias, fungos ou leveduras deve ser acompanhada de leucócitos aumentados. O parasita encontrado com maior freqüência é Trichomonas vaginalis, que é sexualmente transmissível e na infecção de uretra masculina e prostatite é assintomático. Os filamentos de muco podem estar aumentados nas uretrites.
Os cristais raramente têm significado clínico. Porém, alguns deles podem representar doença hepática, erros inatos do metabolismo, insuficiência renal ou danos causados nos túbulos. Os cilindros são únicos elementos encontrados no sedimento urinário que são exclusivos do rim, devem ser identificados quanto à sua composição. A largura e composição do cilindro depende do túbulo renal em que ele se formou.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

COLESTEROL ALTO, saiba como prevenir.

Ao contrário do que muitos pensam, o colesterol é importante para o organismo, pois é um tipo de gordura que o corpo precisa para crescimento e regeneração celular, produção de hormônios sexuais, conversão em ácidos biliares para ajudar na digestão e é também precursor da vitamina D. Porém, a hipercolesterolemia - ou colesterol alto - é uma condição de saúde perigosa, já que está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares.
O colesterol do corpo tem duas origens: síntese no próprio organismo humano e proveniente da dieta alimentar. Como a hipercolesterolemia é um problema assintomático, é importante que se faça exames de sangue periodicamente – sendo eles: colesterol total e suas frações: triglicerídeos, HDL, LDL e VLDL.
Taxas elevadas de colesterol podem levar à aterosclerose – problema em que a gordura se deposita nas paredes das artérias, estreitando as mesmas, podendo ocasionar obstrução e produzir sintomas como angina (dor no peito) e ataques cardíacos.
O HDL – “colesterol bom” – está associado ao menor risco de problemas coronarianos pelo fato de ajudar a carregar o colesterol das células do corpo e paredes das artérias, levando-o para o fígado, onde será reutilizado, descartado ou convertido em ácidos biliares. O LDL – “colesterol ruim” – está envolvido na formação das placas de gordura que levam à obstrução das artérias. Por isso, é importante manter o nível de HDL elevado, já o LDL e demais frações devem ser mantidas baixas.  
Para evitar o colesterol alto, o paciente deve levar um estilo de vida saudável, cortar o tabaco, evitar bebidas alcoólicas, praticar atividades físicas regulares, controlar o stress e ter uma dieta alimentar saudável. Os alimentos recomendados são:
·         Verduras, legumes, frutas, cereais e grãos;
·         Peixes e carnes brancas, preparadas sem pele;
·         Reduzir consumo de carne vermelha e, quando consumir, retirar a gordura visível;
·         Evitar consumo de gema do ovo, leite integral, manteiga e doces
·         Dar preferência a produtos desnatados
·         Usar óleos insaturados, tais como soja, canola, oliva, milho, girassol e algodão. Preferindo os três primeiros.
·         Evitar o uso de óleo de coco e dendê
·         Evitar frituras, biscoitos amanteigados, croissants, folhados
Para pacientes de maior risco, recomenda-se o uso de vastatinas sob recomendação médica. As vastatinas são substâncias inibidoras da síntese de colesterol pelo organismo. As crianças com colesterol alto devem fazer reeducação alimentar e atividades – ex: natação, judô, etc – ainda na infância para evitar problemas cardiovasculares precoces.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

CONTAMINAÇÃO DE ALIMENTOS: você sabe prevenir?

As infecções alimentares são consideradas hoje um problema de saúde pública no Brasil e afetam outros inúmeros países. Os alimentos podem ser contaminados por fungos, bactérias, parasitas e vírus.
Os alimentos possuem um número muito grande de componentes, sendo a maioria deles: água, proteínas, lipídios e carboidratos. Além de sais minerais, vitaminas, ácidos nucléicos e outros. Assim como o corpo humano, que consegue aproveitar significativa parte desde compostos, uma grande variedade de microrganismos também o fazem, permitindo que os alimentos sejam locais ideais para proliferação microbiana.
Em alguns alimentos os fungos são utilizados propositalmente, como é o caso do fermento. Porém, fungos filamentosos (bolores) e leveduras podem causar contaminação, principalmente em alimentos com baixo percentual de água e/ou elevada porção de lipídios. O risco está na produção de toxinas por algumas espécies, pois quando acumulam-se no organismo humano podem causar uma série de transtornos, desde ataques ao fígado até câncer.
Os vírus utilizam os alimentos apenas como transporte até uma célula viva, pois dependem dela para manterem-se vivos. Atualmente tem-se dado maior atenção à contaminação viral devido aos casos de febre aftosa e gripe aviária. Mas também os vírus da hepatite A, hepatite B, adenovírus e rotavírus podem estar presentes nas comidas. Os parasitas – Giardia lamblia, Ascaris lumbricoides, tênia, ameba e outros - são adquiridos por alimentos mal cozidos e normalmente causam infecções assintomáticas. Quando o paciente apresenta sintomas, são discretos e inespecíficos, podendo até mesmo não ser diagnosticados.
As bactérias são as de maior participação nas contaminações pelo fato de atuarem sob numerosos tipos de substratos, diferentes faixas de temperatura e pH do ambiente. Podem ser deteriorantes, causando alterações nas propriedades sensoriais como cor, cheiro, sabor, textura, viscosidade, etc. Destacam-se Salmonella typhi, Bacillus cereus, Clostridium botulinium, Clostridium perfringens, Vibrio cholerae e Vibrio parahaemolyticus.
Para evitar esses problemas, os manipuladores:
·         Devem manter as mãos limpas, unhas aparadas e evitar colocar a mão na boca, nariz, cabelo, etc e sempre que o fizerem devem lavar as mãos;
·         Não usar anéis, jóias, adornos;
·         Evitar a contaminação pelo uso do mesmo utensílio em diferentes alimentos (ex: cortar carnes e legumes com a mesma faca);
·         Cozinhar bem os alimentos;
·         Para os alimentos consumidos CRUS: lavá-los em água potável e imergi-los em solução desinfetante apropriada (encontrada em mercados) segundo indicação relativa à dosagem e tipo de ação do produto e após isso, lavá-los em água potável novamente;
·         Não guardar latas de conserva depois de abertas e não consumir quando, ao abrir, liberar gás;
·         Não consumir alimento com prazo de validade vencido;

É importante se atentar para as instruções específicas de preparo e armazenamento (antes e depois de pronto) de cada tipo de alimento - verduras, carnes, pescados, etc – pois a manipulação incorreta pode facilitar a contaminação.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Menopausa X Infecção Urinária: e agora?


A infecção urinária é uma patologia que cursa com a presença de bactérias em qualquer parte do trato genito-urinário, desde os rins, a bexiga e até a uretra. A infecção do trato urinário (ITU) é mais comum em mulheres, isso se deve principalmente a fatores anatômicos e hábitos higiênicos.
Em determinadas etapas da vida, as ITU’s são mais frequentes entre as mulheres. Por volta dos 50 a 60 anos de idade, este tipo de infecção acontece em decorrência das alterações hormonais do climatério. Durante a menopausa, a mulher perde hormônios e, com eles, a imunidade até então conferida ao sistema genital. Mulheres na pós-menopausa têm diminuição do nível de estrogênio circulante, este hormônio estimula a proliferação de lactobacilos no epitélio vaginal, reduz o pH, prevenindo a colonização vaginal por enterobactérias, microorganismos responsáveis por ITU. A ausência de estrogênio altera o pH vaginal, diminui a quantidade de lactobacilos (permitindo que as bactérias infectantes se multipliquem), promove atrofia vaginal, resultando em flacidez dos ligamentos uterinos, os quais são importantes fatores de risco para infecção urinária.
O processo infeccioso inicia-se a partir da colonização do intróito vaginal e da uretra distal, a instalação da infecção depende da competição entre as bactérias infectantes e a flora residente local (micro-organismos que já existem na vagina), pH vaginal, níveis hormonais e fatores de virulência da bactéria invasora. A micção, fator hidráulico e hidrodinâmico, é um mecanismo que “lava” periodicamente o trato urinário, impedindo a adesão das bactérias ao urotélio. Por isso, não reter a urina na bexiga é tão importante quanto a ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia.
A prevalência de ITU nas mulheres é diretamente proporcional ao avanço da idade das mesmas. Bacteriúria em idosas é, na maioria das vezes, reincidente e tende a tornar-se cada vez mais resistente aos antibióticos. Isso mostra a importância de uma antibioticoterapia realizada corretamente conforme a orientação médica e também da implantação de terapia estrogênica na idade considerada ideal para cada mulher, já que diminui o risco de ITU recorrente na pós-menopausa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Será que eu tenho anemia?


Anemia é um distúrbio dos glóbulos vermelhos do sangue. Caracteriza-se pela diminuição dos níveis de hemoglobina, proteína presente nas hemácias, na circulação. A principal função da hemoglobina é o transporte do oxigênio para pulmões e todas as células do corpo.
A anemia pode ser ocasionada por fatores genéticos - defeitos na hemoglobina, defeitos na membrana do eritrócito e defeitos enzimáticos; por hemorragias (agudas: acidentes, cirurgias, etc; ou crônicas: sangramentos excessivos, úlceras pépticas, neoplasias intestinais, doença hemorroidária, etc) e, na maioria das vezes, por deficiência de nutrientes como ferro, zinco, ácido fólico, vitamina B12, e proteínas.
Ferro é um nutriente essencial para a vida e estima-se que 90% das anemias sejam ferroprivas, ou seja, por deficiência de ferro. Crianças, gestantes e lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença.
Os sintomas são inespecíficos. Os principais sinais e sintomas são: fadiga generalizada, falta de apetite, palidez da pele e mucosas - parte interna do olho e gengiva, menor disposição, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia, pode também ocorrer dificuldade para respirar durante exercícios físicos.
O hemograma é o principal exame a ser realizado quando há suspeita de anemia. Neste exame é possível fazer a avaliação da série vermelha, que inclui os parâmetros: número total de hemácias, hematócrito, hemoglobina, volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina corpuscular média (HCM), concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), Red Cell Distribution Width (RDW – índice de anisocitose).
Devem também ser realizados exames auxiliares no diagnóstico etiológico, tais como: contagem de reticulócitos, dosagem de ferro e ferritina, eletroforese de hemoglobina, teste da G6PD, teste da resistência globular osmótica, teste de Coombs, teste de HAM, entre outros. Os valores de normalidade variam de acordo com a idade e o sexo do paciente.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Resistência Bacteriana: o que é isso?

“Ah, toma um antibiótico!”. Esta é uma frase bastante utilizada quando o assunto é dor, coceira ou qualquer sintoma que incomode alguém. Os antibióticos são considerados uma panacéia universal. A grande disponibilidade desses medicamentos, juntamente com a publicidade pouco criteriosa, acentua e incentiva o uso abusivo. Mesmo com a exigência de receitas médicas para a aquisição desses fármacos, o uso indiscriminado continua muito alto. Os pacientes desejam remédios que tragam a cura imediata.
            Antibioticoterapia adequada não é o uso de antimicrobianos sem indicação médica, nem em esquema errado (dosagem, intervalo de tempo de ingestão) ou por tempo diferente do recomendado. Com isso, as doenças infecciosas são agravadas e, até mesmo, mantidas. Aparecem mais reações adversas, usam-se alternativas antimicrobianas mais onerosas e se produzem mais hospitalizações. O uso irracional de antibióticos contribui para o surgimento das “superbactérias”, que são microrganismos multi-resistentes, cepas capazes de multiplicar-se em concentrações antimicrobianas mais altas do que as doses terapêuticas recomendadas.
            Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 50% dos consumidores compram medicamentos para um dia e 90% compram-no para o período igual ou inferior a 3 dias. Os pacientes interrompem o tratamento assim que os sintomas acabam ou o fazem em uso concomitante com o álcool. O consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento não corta efetivamente o efeito do medicamento, mas pode reduzir o tempo que a substância ativa permanece na corrente sanguínea em níveis adequados, fazendo com que a sua concentração no organismo seja alterada e a resposta ao tratamento não seja ideal.
            Este é um sério problema que afeta a saúde individual e coletiva. Portanto, os antibióticos devem ser específicos para a bactéria que está causando a infecção e utilizados na hora e na dosagem certas.