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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Menopausa X Infecção Urinária: e agora?


A infecção urinária é uma patologia que cursa com a presença de bactérias em qualquer parte do trato genito-urinário, desde os rins, a bexiga e até a uretra. A infecção do trato urinário (ITU) é mais comum em mulheres, isso se deve principalmente a fatores anatômicos e hábitos higiênicos.
Em determinadas etapas da vida, as ITU’s são mais frequentes entre as mulheres. Por volta dos 50 a 60 anos de idade, este tipo de infecção acontece em decorrência das alterações hormonais do climatério. Durante a menopausa, a mulher perde hormônios e, com eles, a imunidade até então conferida ao sistema genital. Mulheres na pós-menopausa têm diminuição do nível de estrogênio circulante, este hormônio estimula a proliferação de lactobacilos no epitélio vaginal, reduz o pH, prevenindo a colonização vaginal por enterobactérias, microorganismos responsáveis por ITU. A ausência de estrogênio altera o pH vaginal, diminui a quantidade de lactobacilos (permitindo que as bactérias infectantes se multipliquem), promove atrofia vaginal, resultando em flacidez dos ligamentos uterinos, os quais são importantes fatores de risco para infecção urinária.
O processo infeccioso inicia-se a partir da colonização do intróito vaginal e da uretra distal, a instalação da infecção depende da competição entre as bactérias infectantes e a flora residente local (micro-organismos que já existem na vagina), pH vaginal, níveis hormonais e fatores de virulência da bactéria invasora. A micção, fator hidráulico e hidrodinâmico, é um mecanismo que “lava” periodicamente o trato urinário, impedindo a adesão das bactérias ao urotélio. Por isso, não reter a urina na bexiga é tão importante quanto a ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia.
A prevalência de ITU nas mulheres é diretamente proporcional ao avanço da idade das mesmas. Bacteriúria em idosas é, na maioria das vezes, reincidente e tende a tornar-se cada vez mais resistente aos antibióticos. Isso mostra a importância de uma antibioticoterapia realizada corretamente conforme a orientação médica e também da implantação de terapia estrogênica na idade considerada ideal para cada mulher, já que diminui o risco de ITU recorrente na pós-menopausa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Será que eu tenho anemia?


Anemia é um distúrbio dos glóbulos vermelhos do sangue. Caracteriza-se pela diminuição dos níveis de hemoglobina, proteína presente nas hemácias, na circulação. A principal função da hemoglobina é o transporte do oxigênio para pulmões e todas as células do corpo.
A anemia pode ser ocasionada por fatores genéticos - defeitos na hemoglobina, defeitos na membrana do eritrócito e defeitos enzimáticos; por hemorragias (agudas: acidentes, cirurgias, etc; ou crônicas: sangramentos excessivos, úlceras pépticas, neoplasias intestinais, doença hemorroidária, etc) e, na maioria das vezes, por deficiência de nutrientes como ferro, zinco, ácido fólico, vitamina B12, e proteínas.
Ferro é um nutriente essencial para a vida e estima-se que 90% das anemias sejam ferroprivas, ou seja, por deficiência de ferro. Crianças, gestantes e lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença.
Os sintomas são inespecíficos. Os principais sinais e sintomas são: fadiga generalizada, falta de apetite, palidez da pele e mucosas - parte interna do olho e gengiva, menor disposição, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia, pode também ocorrer dificuldade para respirar durante exercícios físicos.
O hemograma é o principal exame a ser realizado quando há suspeita de anemia. Neste exame é possível fazer a avaliação da série vermelha, que inclui os parâmetros: número total de hemácias, hematócrito, hemoglobina, volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina corpuscular média (HCM), concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM), Red Cell Distribution Width (RDW – índice de anisocitose).
Devem também ser realizados exames auxiliares no diagnóstico etiológico, tais como: contagem de reticulócitos, dosagem de ferro e ferritina, eletroforese de hemoglobina, teste da G6PD, teste da resistência globular osmótica, teste de Coombs, teste de HAM, entre outros. Os valores de normalidade variam de acordo com a idade e o sexo do paciente.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Resistência Bacteriana: o que é isso?

“Ah, toma um antibiótico!”. Esta é uma frase bastante utilizada quando o assunto é dor, coceira ou qualquer sintoma que incomode alguém. Os antibióticos são considerados uma panacéia universal. A grande disponibilidade desses medicamentos, juntamente com a publicidade pouco criteriosa, acentua e incentiva o uso abusivo. Mesmo com a exigência de receitas médicas para a aquisição desses fármacos, o uso indiscriminado continua muito alto. Os pacientes desejam remédios que tragam a cura imediata.
            Antibioticoterapia adequada não é o uso de antimicrobianos sem indicação médica, nem em esquema errado (dosagem, intervalo de tempo de ingestão) ou por tempo diferente do recomendado. Com isso, as doenças infecciosas são agravadas e, até mesmo, mantidas. Aparecem mais reações adversas, usam-se alternativas antimicrobianas mais onerosas e se produzem mais hospitalizações. O uso irracional de antibióticos contribui para o surgimento das “superbactérias”, que são microrganismos multi-resistentes, cepas capazes de multiplicar-se em concentrações antimicrobianas mais altas do que as doses terapêuticas recomendadas.
            Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 50% dos consumidores compram medicamentos para um dia e 90% compram-no para o período igual ou inferior a 3 dias. Os pacientes interrompem o tratamento assim que os sintomas acabam ou o fazem em uso concomitante com o álcool. O consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento não corta efetivamente o efeito do medicamento, mas pode reduzir o tempo que a substância ativa permanece na corrente sanguínea em níveis adequados, fazendo com que a sua concentração no organismo seja alterada e a resposta ao tratamento não seja ideal.
            Este é um sério problema que afeta a saúde individual e coletiva. Portanto, os antibióticos devem ser específicos para a bactéria que está causando a infecção e utilizados na hora e na dosagem certas.