Hoje considerada comum, a doença celíaca é uma enfermidade que atinge o intestino delgado e sua causa é a alergia ao glúten – uma proteína presente no trigo, centeio, cevada, aveia e malte que, em contato com a mucosa intestinal do paciente celíaco, agride, ocasiona inflamação e encurtamento das dobras intestinais, prejudicando a digestão e absorção dos alimentos, gerando um quadro clínico.
Os celíacos – portadores da alergia ao glúten – normalmente, são indivíduos geneticamente predispostos, sendo que, o grau de inflamação intestinal e atrofia das vilosidades diferem de um paciente para o outro. A doença pode ocorrer em qualquer idade e os sinais e sintomas podem ser silenciosos e inespecíficos ou, até mesmo, causarem importante resposta imunológica com desnutrição calórico-protéica.
Habitualmente, os celíacos se queixam de fezes fétidas, claras, volumosas e sobrenadantes; desconforto abdominal, flatulência, diarréia, aftas bucais, fraqueza geral, modificação do humor, dificuldade para um sono reparador, alterações na pele, fraqueza nas unhas, queda de pelos, alterações do ciclo menstrual, inchaço dos membros inferiores, distensão abdominal por gases, cólicas, náuseas e vômitos e, paradoxalmente, constipação. Osteoporose, anemia por deficiência de ferro e vitamina B12 e diminuição da fertilidade também são importante indícios.
Para o diagnóstico são feitos exames de imagem e de sangue, como: anticorpos anti-endomísio (IgA-EMA) e anti-transglutaminase (Anti-tTG). Ocasionalmente, faz-se biópsia. Pode-se também testar o diagnóstico através avaliação do paciente por uma dieta isenta de glúten por um período de dois a três meses e, após isso, inserção do glúten na alimentação.
O tratamento é feito apenas com a dieta isenta de glúten. Portanto, o celíaco não deve consumir alimentos que não tenha confiança, não deve usar o mesmo refratário para alimentos com e sem glúten (ex: pão e carne no mesmo refratário), não deve usar o mesmo óleo para fritar alimentos com e sem glúten (ex: massas e ovo) e deve ficar atento a pequenos detalhes seguindo rigorosamente a dieta.
Os portadores de doença celíaca que não fazem a dieta ou não têm conhecimento de sua enfermidade apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de linfoma intestinal de células T. Isso mostra a importância de ter muita cautela não somente com alimentos que contêm glúten, mas também com as bebidas. O portador e a família se adaptam bem devido ao fato de, atualmente, existir uma grande variedade de alimentos, bebidas, receitas e, até mesmo restaurantes que preparam pratos que não contêm glúten.

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