A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica causada por um parasita intracelular chamado Mycobacterium leprae, mais comumente conhecido como bacilo de Hansen. É uma das doenças mais antigas na história da medicina, era antigamente designada como lepra e seu período de incubação varia de 2 a 7 anos.
É uma enfermidade que ataca pele e nervos periféricos e, dependendo da evolução, pode afetar outros órgãos como fígado, olhos e testículos. As primeiras manifestações são o aparecimento de manchas dormentes de cor avermelhada ou esbranquiçada e a falta de sensibilidade ao tato, ao calor e à dor em certas áreas do corpo. Com o avanço da doença, o número de manchas aumenta e os nervos passam a ser comprometidos, ocasionando dor, sensação de formigamento e de choque, fraqueza muscular, dificuldade ao pegar objetos, deformidades em certas regiões, tais como nariz e dedos. Além disso, algumas áreas do corpo não produzem suor, outras apresentam queda de pêlos, surgem nódulos pelo corpo, úlceras nos pés e pernas, inchaço nos pés e nas mãos, há ressecamento dos olhos e nariz, febre, edema e dor nas juntas. Vários indivíduos evoluem para deformidades irreversíveis. As formas de evolução dependem das características do sistema imune do paciente.
A transmissão se dá por via respiratória ou através do contato com as feridas dos doentes. Porém, é necessário um contato íntimo e prolongado para que haja contaminação. O domicílio é apontado como importante espaço de transmissão da doença e, por isso, todos os residentes do mesmo lar devem fazer os exames. Segundo a Organização Mundial de Saúde a maioria da população adulta entra em contato com o bacilo, mas apenas 5% desenvolvem a doença. O diagnóstico é feito pela avaliação clínica, aplicação de testes de sensibilidade, força motora, palpação de nervos, braços, pernas e olhos, além de exames laboratoriais como a biópsia.
Não é necessário o afastamento do paciente do seu ambiente familiar ou de trabalho e nem a interrupção de relações sexuais com seu parceiro ou parceira. O paciente pode ser completamente curado, desde que siga corretamente o tratamento e cuidados necessários. Os medicamentos são fornecidos gratuitamente pela rede de saúde pública do Brasil. Assim que o tratamento é iniciado, o doente pára de transmitir a doença.
O Brasil é o líder mundial em prevalência de hanseníase. Fatores predisponentes importantes para o desenvolvimento da doença são: baixo nível sócio-econômico, desnutrição e superpopulação doméstica. Apesar de não haver medidas específicas de prevenção, pode-se evitar novos casos através do diagnóstico e tratamento precoces, realização de exames de todas as pessoas que moram na mesma casa e aplicação da vacina BCG. Por isso, o auxílio médico é muito importante para evitar evolução da doença com comprometimento do organismo e contaminação de outras pessoas.

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