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Biomédica e Estudante de Medicina (Contatos --> Tel: 67-9976-5669; e-mail: thayara.paolla@yahoo.com.br)

sábado, 11 de agosto de 2012

Motivo para muita dor.

         O pâncreas é uma glândula grande localizada atrás do estômago e junto à parte inicial do intestino. Tem funções importantes, como a secreção de enzimas para o intestino delgado - através de um canal chamado ducto pancreático - responsáveis pela digestão de gorduras, proteínas e carboidratos. Além de disso, secreta insulina e glucagon, hormônios que ajudam o corpo a utilizar a glicose advindas dos alimentos. A inflamação desta glândula recebe o nome de pancreatite, que pode acontecer de forma aguda ou crônica e, geralmente, está associada ao uso abusivo de álcool.
            A pancreatite pode ser também ocasionada por bloqueio ou estreitamento do ducto pancreático devido a algum trauma ou formação de pseudocistos, o que interrompe o fluxo das secreções pancreáticas, levando ao processo inflamatório intenso e consequente edema. Além disso, fatores como hereditariedade, condições congênitas, fibrose cística, altos níveis de cálcio e/ou triglicerídeos no sangue, uso de certos medicamentos e certas condições auto-imunes podem levar ao quadro de pancreatite. Ainda que raramente, a pancreatite idiopática (de causa desconhecida) pode ocorrer.
            O sintoma mais comum é a dor intensa na "boca do estômago" de início abrupto e que se irradia em faixa para as costas. É possível que o paciente apresente náuseas, vômitos e icterícia. Quando na forma crônica da doença pode haver diarreia e diabetes, já que o pâncreas vai perdendo suas funções exócrinas e endócrinas. A dor aparece também na forma crônica durante as fases de agudização (crises).
           O diagnóstico é feito através do exame clínico do paciente, histórico de vida, exames como raio X e ultrassonografia de abdômen, além de exames de sangue como dosagem de amilase e lipase. O tratamento geralmente requer internação hospitalar, pois o paciente precisa fazer hidratação por soro na veia e jejum para que a glândula repouse até que a inflamação regrida, o que acontece em 80% dos casos. Os outros 20% evoluem para a forma de pancreatite crônica, podendo levar à lesões de órgãos como pulmões, rins e coração. Não deve ser deixada de lado a possibilidade de o paciente entrar em choque, sendo necessário seu encaminhamento ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). Em casos de necrose, deve-se recorrer também ao tratamento cirúrgico.
         Para se prevenir, não abuse das bebidas alcoólicas. Caso você já tenha apresentado algum episódio de pancreatite, suspenda imediatamente o uso do álcool e não ingira sequer uma gota de bebida alcoólica, pois o consumo agrava o quadro. Ao sentir alguma dor característica da doença, procure assistência médica. O diagnóstico e início precoce do tratamento são fundamentais para a cura e/ ou controle das pancreatites.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cuidado com o bebê amarelo!


        Também conhecida como amarelão, a icterícia neonatal é uma alteração fisiológica decorrente do acúmulo de um pigmento amarelado chamado bilirrubina. Assim como outras substâncias, a bilirrubina é produzida normalmente pelo organismo humano como resultado do rompimento dos glóbulos vermelhos - as hemácias - do sangue, que vivem de 90 a 120 dias. Quando as células vermelhas morrem, a hemoglobina presente nelas se transforma em bilirrubina e é transportada para o fígado, onde é metabolizada e excretada pelas fezes. Caso este processo não ocorra adequadamente, acontece o acúmulo do pigmento e a pele e, até mesmo, o branco dos olhos tornam-se amarelados.
            No recém-nascido (RN), isto pode ocorrer devido à imaturidade do sistema hepático, ou seja, o fígado do bebê tem uma capacidade limitada de metabolização. Além disso, fatores como traumas, demora na ligadura do cordão umbilical e concentração elevada de hemoglobina podem levar à hiperbilirrubinemia (excesso de bilirrubina no sangue), acontecendo principalmente em bebês prematuros. Mas não entrem em pânico, pois esta é uma situação transitória presente em aproximadamente 80% dos recém-nascidos, que pode mudar conforme o bebê vai sendo amamentado, pois, assim, excretará mais bilirrubina nas fezes. Isto não significa que o neonato não precise de acompanhamento médico!  Pois, se não houver a detecção e tratamento adequados, o seu filho pode sofrer com consequências deste acúmulo. A forma mais grave desta doença é a decorrente da incompatibilidade sanguínea, que ocorre quando a mãe é Rh negativo e o filho é Rh positivo, fazendo com que as células vermelhas do bebê sejam destruídas rapidamente.
            A cor amarelada da pele normalmente aparece entre o segundo e terceiro dia de vida - exceto nos casos de incompatibilidade, que surge no primeiro dia. A maioria regride espontaneamente. Caso persista por mais tempo, deve-se investigar com mais afinco, pois pode ser devido outras causas patológicas, como infecção urinária ou doenças congênitas. A detecção é feita através do exame clínico e pelo uso do bilirrubinômetro cutâneo em consultórios pediátricos, mas a exatidão dos níveis de bilirrubina é obtida através da dosagem de seus níveis pelo exame de sangue.

            O tratamento é feito se o médico considerar que as taxas do pigmento não regredirão. O bebê passará por sessões de fototerapia - o popular "banho de luz" - que ajuda a diluir a bilirrubina, tornando mais fácil a sua excreção. Em casos de incompatibilidade sanguínea, deve ser feita a exsanguinotransfusão, procedimento que vai retirar todo o sangue do RN e substituí-lo por outro sangue.  Papais e mamães, cuidado redobrado: o excesso de bilirrubina pode acumular-se no cérebro e acarretar danos irreversíveis ao sistema nervoso de seu filho! Portanto, faça o tratamento caso seja necessário e, medidas simples, como o banho de sol em horários permitidos é muito importante.