Também conhecida como
amarelão, a icterícia neonatal é uma alteração fisiológica decorrente do
acúmulo de um pigmento amarelado chamado bilirrubina. Assim como outras
substâncias, a bilirrubina é produzida normalmente pelo organismo humano como
resultado do rompimento dos glóbulos vermelhos - as hemácias - do sangue, que
vivem de 90 a 120 dias. Quando as células vermelhas morrem, a hemoglobina
presente nelas se transforma em bilirrubina e é transportada para o fígado,
onde é metabolizada e excretada pelas fezes. Caso este processo não ocorra
adequadamente, acontece o acúmulo do pigmento e a pele e, até mesmo, o branco
dos olhos tornam-se amarelados.
No recém-nascido (RN), isto pode
ocorrer devido à imaturidade do sistema hepático, ou seja, o fígado do bebê tem
uma capacidade limitada de metabolização. Além disso, fatores como traumas,
demora na ligadura do cordão umbilical e concentração elevada de hemoglobina
podem levar à hiperbilirrubinemia (excesso de bilirrubina no sangue),
acontecendo principalmente em bebês prematuros. Mas não entrem em pânico, pois
esta é uma situação transitória presente em aproximadamente 80% dos
recém-nascidos, que pode mudar conforme o bebê vai sendo amamentado, pois,
assim, excretará mais bilirrubina nas fezes. Isto não significa que o neonato
não precise de acompanhamento médico! Pois, se não houver a detecção e tratamento
adequados, o seu filho pode sofrer com consequências deste acúmulo. A forma
mais grave desta doença é a decorrente da incompatibilidade sanguínea, que
ocorre quando a mãe é Rh negativo e o filho é Rh positivo, fazendo com que as
células vermelhas do bebê sejam destruídas rapidamente.
A cor amarelada da pele normalmente
aparece entre o segundo e terceiro dia de vida - exceto nos casos de
incompatibilidade, que surge no primeiro dia. A maioria regride
espontaneamente. Caso persista por mais tempo, deve-se investigar com mais
afinco, pois pode ser devido outras causas patológicas, como infecção urinária
ou doenças congênitas. A detecção é feita através do exame clínico e pelo uso
do bilirrubinômetro cutâneo em consultórios pediátricos, mas a exatidão dos
níveis de bilirrubina é obtida através da dosagem de seus níveis pelo exame de
sangue.
O
tratamento é feito se o médico considerar que as taxas do pigmento não
regredirão. O bebê passará por sessões de fototerapia - o popular "banho
de luz" - que ajuda a diluir a bilirrubina, tornando mais fácil a sua
excreção. Em casos de incompatibilidade sanguínea, deve ser feita a
exsanguinotransfusão, procedimento que vai retirar todo o sangue do RN e
substituí-lo por outro sangue. Papais e
mamães, cuidado redobrado: o excesso de bilirrubina pode acumular-se no cérebro
e acarretar danos irreversíveis ao sistema nervoso de seu filho! Portanto, faça
o tratamento caso seja necessário e, medidas simples, como o banho de sol em
horários permitidos é muito importante.

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