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Biomédica e Estudante de Medicina (Contatos --> Tel: 67-9976-5669; e-mail: thayara.paolla@yahoo.com.br)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Meningite: fique atento e aja rapidamente!

          Meningite é a inflamação das meninges, que são as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. É causada por diversos tipos de bactérias, vírus, fungos e protozoários. As meningites virais são as mais frequentes e as bacterianas são extremamente graves e podem causar danos cerebrais ou levar à morte caso não recebam tratamento imediato.
            Os pacientes mais vulneráveis à infecção são idosos, imunodeprimidos e, principalmente, crianças menores de 5 anos de idade. A ocorrência é maior em populações com aglomerados e a transmissão acontece pelo contato com secreções respiratórias, saliva ou gotículas de saliva de um indivíduo contaminado por algum microrganismo causador da doença. Também ocorre por causas não infecciosas, tais como: metástase de certos tumores para a meninge, uso de certos medicamentos e outras.
            Os principais sintomas são rigidez no pescoço, dor de cabeça intensa, febre, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e a sons altos e alterações do estado mental. Podem ocorrer também elevação de fontanela – a famosa “moleirinha” dos recém-nascidos -, agitação, perda de consciência, respiração acelerada e opistótonos, que é a contratura da coluna vertebral, fazendo com que ela forme um arco. Deve-se ficar atento às crianças pequenas, pois os sintomas podem ser inespecíficos, tais como irritabilidade e sonolência. Os sintomas podem demorar até cinco dias para se manifestarem.
            O diagnóstico é feito pela análise e cultura do líquor, também conhecido como líquido cefalorraquidiano que age como amortecedor para o cérebro e a medula espinhal. A coleta deste líquido é feita por punção lombar no hospital e o material é enviado imediatamente ao laboratório para avaliação da cor e aspecto, contagem celular total e diferencial, realização dos exames de glicose, proteínas total e frações, cloretos, lactato desidrogenase, teste de sífilis, pesquisa de microrganismos através de microscopia e cultura. Outros exames complementares podem ser feitos como Raio X de Tórax, hemograma e PCR.
            O tratamento é feito de acordo com cada caso, mas basicamente pelo uso de antibióticos, antivirais e demais medicamentos intravenosos para tratar os sintomas como inchaço do cérebro, choque e convulsões. Entre as complicações mais frequentes, estão: dano cerebral, déficit cognitivo, perda parcial ou total da visão e/ou audição, hidrocefalia e prejuízos ao sistema nervoso central.
            A prevenção pode ser feita fundamentalmente pelos cuidados com a higiene e também através de vacinas específicas prescritas pelo médico. Não fique na dúvida, em qualquer suspeita, procure imediatamente um hospital, pois o diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar danos neurológicos permanentes e aumentar as chances de se obter um bom prognóstico.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Gota, que doença é essa?

           A gota é uma doença reumática, inflamatória e metabólica que acomete as articulações e cursa com hiperuricemia, ou seja, elevação dos níveis de ácido úrico no sangue. Sua incidência maior ocorre entre os 30 a 50 anos de idade, sendo predominante – 95% dos casos -  no sexo masculino. Em mulheres, geralmente acontece após a menopausa.
            O acúmulo de ácido úrico no sangue pode ser ocasionado pela incapacidade dos rins em eliminar este metabólito ou pelo excesso de produção do mesmo. A doença é classificada em primária – quando as causas são hereditárias – ou em secundária – quando acontece em consequência de outras doenças, como: anemia falciforme, leucemia, psoríase, insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial e hipotireoidismo; ou uso de certos medicamentos como: diuréticos, aspirina em dose baixa, varfarina e outros. Portanto, é uma doença crônica e não contagiosa. A hiperuricemia pode também ser ocasionada por outros motivos, tais como: dieta rica em proteínas e gordura e uso abusivo de bebidas alcoólicas.
            O fator desencadeante da doença é o aumento dos níveis séricos de ácido úrico, que resulta no depósito de cristais de monourato de sódio nas juntas e, consequentemente, artrite aguda. Porém, apenas o aumento do ácido úrico não significa que o paciente é gotoso, já que apenas 20% dos pacientes com hiperuricemia apresentam a gota. Isso faz necessária a dosagem deste metabólito através do exame de sangue.
            As crises manifestam-se geralmente como uma artrite iniciada na madrugada, caracterizada por uma inflamação articular juntamente com calor, edema e extrema dor. Isto dura geralmente de 5 a 7 dias e tem resolução espontânea, entrando num período assintomático que dura de três meses a dois anos, até que ocorra a próxima crise.
            O diagnóstico da gota é feito através da visualização microscópica do cristal no líquido sinovial - líquido presente nas articulações. Outros métodos adicionais são: a dosagem de ácido úrico em urina de 24 horas e também a análise da presença de tofos, que são conglomerados de cristais de ácido úrico depositados em cartilagens (borda da orelha, cotovelo, ponta do nariz, joelhos).

            Na há cura, mas o tratamento é feito pela normalização dos níveis de ácido úrico no sangue com fármacos específicos, tratamento de doenças associadas (ex: diabetes, hipertensão, outras), tratamento das crises com analgésicos e compressas com gelo e orientação da dieta alimentar. Sem o tratamento o espaço entre as crises diminui a intensidade da dor aumenta, os surtos ficam mais prolongados e a tendência a envolver mais de uma articulação é maior.